Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010  
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12/03/2010
Pesquisa: Botucatu em 3º lugar na relação de médicos por habitantes
Lilian Grasiela/ Com Redação
Botucatu - Levantamento divulgado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) aponta que o número de médicos por habitantes no Estado aumentou 33% nos últimos dez anos. Na região, Botucatu (100 quilômetros de Bauru) ficou em terceiro lugar na pesquisa, com índice de 6,06 profissionais para cada mil habitantes (ou um médico para cada 165 habitantes), enquanto a média estadual é de 2,45 médicos para cada mil habitantes. Contudo, apesar dos dados positivos, na prática o atendimento na Saúde pode não refletir essa realidade.

Segundo o conselheiro responsável pela Delegacia do Cremesp em Bauru, Carlos Alberto Monte Gobbo, o levantamento do órgão leva em conta o município onde os médicos estão registrados, e não necessariamente a localidade onde atuam. O fato de Botucatu contar com uma faculdade de medicina que é referência no Estado, faz com que o número de profissionais que retiram seu registro na cidade seja grande.

“Existe uma população de médicos que atende a cidade e uma população de médicos que atende o Hospital das Clínicas da Faculdade”, explica. “Onde tem faculdade de medicina, acaba tendo uma concentração maior de médicos. Muitos residentes acabam a graduação, vão retirar o seu primeiro CRM e o endereço que eles dão é o de Botucatu”.


Faculdade

Para comprovar sua linha de raciocínio, o conselheiro cita como exemplo as cidades de Santos e Ribeirão Preto, respectivamente primeira e segunda colocadas na pesquisa. De acordo com ele, enquanto Santos conta com duas faculdades de medicina, Ribeirão possui três unidades de ensino na área. “Esse volume de médicos, quando colocado em qualquer distribuição demográfica per capita, vai resultar em uma quantidade de médicos assustadoramente maior do que em qualquer outro lugar”, afirma.

Na avaliação de Gobbo, a relação positiva entre quantidade de médicos e número de habitantes em Botucatu não significa que a população da cidade esteja sendo melhor acompanhada na área da saúde. “O que dá para inferir disso é que o fato de ter muitos médicos na cidade em função da faculdade de medicina não significa que a cidade tenha uma condição de Saúde estruturada e suprida”, avalia.

A despeito da qualidade no atendimento, Gobbo destaca que a concentração de médicos por habitantes em São Paulo é superior a de outros Estados. “Aqui no Estado de São Paulo, em geral, você tem uma concentração de médico por habitante até melhor do que o preconizado pela Organização Mundial de Saúde”, analisa.

A razão dessa diferença entre as regiões do País deve-se a fatores que incluem desde o número de profissionais do próprio Estado que se formam nas faculdades daqui, até a existência de grandes centros de pesquisa na área que acabam atraindo médicos de outras regiões. Segundo o levantamento do Cremesp, 38% dos profissionais que atuam em São Paulo graduaram-se em cursos de medicina localizados em outros Estados.


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Dados estaduais e nacionais

O levantamento do Cremesp aponta que, enquanto em 2000 o Estado de São Paulo tinha 1,84 médicos para cada mil habitantes (ou um médico para 542 pessoas), hoje existem 2,45 médicos para o mesmo grupo de mil habitantes (ou um médico para cada 410 pessoas), o que representa crescimento de 33% na última década.

O aumento da população não acompanhou o crescimento do número de profissionais, de acordo com a pesquisa. Nos últimos dez anos, enquanto a população cresceu 12%, a quantidade de médicos teve um acréscimo de 48%, valor bem superior e que reflete uma melhor cobertura na área da Saúde em termos gerais.

Dentre os médicos em atividade, 64,5% possuem alguma especialidade. Já os 35,5% restantes são generalistas, ou seja, apenas concluíram a faculdade mas não têm residência médica em nenhuma especialidade.

A pesquisa também mostra aumento no número de mulheres na profissão. Hoje, dos médicos registrados no Cremesp, 60% são homens e 40% mulheres. Já a média de idade dos profissionais é de 42 anos.

Ainda de acordo com o levantamento, 54% dos médicos paulistas trabalham no Sistema Único de Saúde (SUS) e cerca de 55% são conveniados a planos de saúde privados. 30% dos profissionais têm quatro ou mais empregos, 27% têm três empregos, 285% têm dois empregos e apenas 18% possuem apenas um vínculo profissional. A média de horas trabalhadas é de 52 horas semanais por um salário que gira em torno de R$ 6 mil mensais.

A maior concentração de médicos ocorre em grandes centros urbanos. Já as regiões menos desenvolvidas têm maior dificuldade para fixar e atrair profissionais em razão dos baixos salários, dificuldade de locomoção e medo da violência.

Um índice que reflete essa desigualdade é o fato da região Sudeste, que abriga 42% da população, concentrar 57% dos médicos do País, enquanto as regiões Norte e Nordeste, que juntas reúnem 37% da população, contar com apenas 20% dos médicos.

Um fator que favorece o aumento do número de profissionais na área da medicina é a abertura de novas faculdades. Segundo o Cremesp, na última década, 32 mil novos médicos formaram-se no Estado. Neste período, foram abertos no País 78 novos cursos de medicina. Atualmente, o Brasil conta com 181 escolas médicas em atividade.

O órgão é contrário à implantação de novos cursos de medicina e defende a melhor distribuição dos profissionais existentes, além da reforma no ensino médio e qualificação dos médicos de acordo com as necessidades de saúde da população.
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